Daniel Lourenço eleito novo líder dos Super Dragões

A eleição que pode mudar a história dos Super Dragões

Eu vi os Super Dragões no seu auge. Vi o Dragão tremer, vi adversários a ceder só pelo barulho das bancadas. Mas também vi a mesma claque transformar-se em vergonha, ao ponto de agredir sócios dentro da nossa própria casa. Hoje, com a eleição de Daniel Lourenço, chegamos a um cruzamento: ou voltam a ser Porto, ou continuam a ser o problema do Porto.

A claque que tanto nos deu… e tanto nos tirou

Acho que todos nós já sentimos no corpo a força que vem das bancadas. Já vimos jogos virarem pelo empurrão das claques, já estivemos em estádios onde éramos poucos mas parecíamos milhares. Essa chama não se compra, não se fabrica: nasce da mística portista.

Mas também não preciso que me expliquem como a mesma claque conseguiu envergonhar o clube. Quando uma bandeira azul e branca serve de capa para negócios obscuros, quando os cânticos se confundem com violência, quando as deslocações que deviam ser para apoiar o Porto acabam transformadas em desculpa para vandalismo, e até os próprios sócios passam a ser alvos, aí já não estamos a falar de mística. Aí deixa de ser Porto. E essa é uma ferida que ainda arde.

Assembleia Geral do FC Porto na Dragão Arena com forte presença de sócios

O fim de uma era e a rutura necessária

A fatídica Assembleia Geral de 2023 foi o ponto de rutura. O clube percebeu, e nós percebemos, que havia algo que não podia continuar. A Operação Pretoriano e a queda de Fernando Madureira apenas confirmaram o que já todos sabíamos: a claque estava a viver de privilégios que nada tinham a ver com paixão portista. Bilhetes desviados, viagens pagas para destinos de luxo, milhões a sair dos cofres do clube. Era o Porto a ser explorado por dentro.

Com a chegada de André Villas-Boas, a mensagem foi clara: acabou. Nada de bilhetes à custa do clube, nada de viagens sem justificação, nada de impunidade. E eu só posso agradecer e concordar. É preciso existir regras. A claque não pode estar acima do FC Porto.

Quem é Daniel Lourenço

Agora, com a eleição de Daniel Lourenço, entra em cena uma nova figura. Não carrega o peso judicial do passado, nem o estrelato mediático de Madureira. Foi eleito presidente dos Super Dragões no dia 16 de agosto de 2025, pela Lista A, com forte adesão dos sócios do grupo.

É apontado como alguém que privilegia a união e a paixão portista, mais discreto e institucional, disposto a trabalhar em equipa com os vice-presidentes, entre eles Rúben “Tico” Bastos, para devolver dignidade e foco à claque.

Eu quero acreditar que Lourenço pode ser o ponto de viragem. Que pode devolver a claque ao que ela deve ser: irreverente, barulhenta, incómoda para os rivais, mas sempre pelo Porto. Não contra o Porto.

O desafio que tem pela frente

Não há ilusões possíveis: o caminho é duro. Durante demasiado tempo, a claque viveu de privilégios e de uma zona cinzenta onde tudo parecia permitido. Pelo meio, atraiu vândalos mascarados de portistas, gente que confunde apoiar com destruir, e que mancha a bandeira que diz defender. Esses não fazem falta: ou mudam de rumo, ou saem da frente.

Agora, as regras são claras. Bilhetes pagos, responsabilidade pelas multas, fim das mordomias. E digo mais: eu até concordo que uma claque possa vir a ter bilhetes gratuitos, se isso servir para financiar deslocações e garantir apoio em todo o lado. Mas que haja contas prestadas ao clube. Que cada euro seja transparente e usado para todos os membros, não para luxos de alguns nem, pior ainda, para fins obscuros.

Ou aceitam, ou vão chocar de frente não só com a direção, mas com os próprios sócios do FC Porto. Porque a era em que uma direção corrupta precisava de capangas para impor silêncio e medo dentro do clube acabou. E no meu Porto não tem mais lugar para isso.

E aqui a escolha é clara: ou voltam a ser representantes da voz dos portistas, ou ficam para a história como um grupo que se serviu do clube em vez de o servir.

Adeptos do FC Porto Super Dragões chegam ao Estádio da Luz em Lisboa

Conclusão

Eu quero uma claque forte, porque sem claques o futebol perde alma. Quero os Super Dragões a fazerem tremer o Dragão, a curtirem o processo e a meterem medo aos adversários.

Confesso que já não me vejo a ir de autocarro para a Luz ou para Alvalade, ou a caminhar no meio deles pelas ruas de Lisboa, a cantar os nossos cânticos. Mas quero, sobretudo, que os meus filhos possam viver essa experiência em segurança, com a genuína mística e o amor portista nas veias, sentindo que cada deslocação é um hino ao clube e não um pretexto para violência.

Mas há algo que não pode ser esquecido: o Porto não é deles. O Porto é de todos nós. E precisa ser protegido e respeitado acima de qualquer coisa.

A eleição de Daniel Lourenço não é um ponto final, é apenas o início. O verdadeiro teste começa agora: devolver à claque a alma que a fez grande, a paixão que fez tremer estádios e a identidade que sempre caminhou lado a lado com o FC Porto.

Porque o Porto precisa de vocês. A questão é: vocês ainda querem ser dignos do Porto?

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Ricardo Amorim

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