André Franco: quem sonha com MLS nunca poderia ser do Porto

Quando as palavras revelam mais do que o talento

Há frases que revelam mais do que qualquer scouting. A de André Franco, na saida para o Chicago Fire, é uma delas: 

“Não quero que seja um empréstimo até dezembro, mas um contrato longo.”

Disse-o de peito feito, feliz com a nova vida na MLS. Para muitos, é só ambição pessoal. Para quem vive o Porto, é o espelho de um erro de casting que nunca podia ter entrado no balneário do Dragão.

O empréstimo ficou oficializado até 1 de Janeiro de 2026, com opção de compra para o Chicago Fire. Para ele, começa uma nova etapa; para nós, encerra-se um ciclo sem saudade, e espero que tenha ficado uma lição que pretendo explicar abaixo.

André Franco, ainda ao serviço do Estoril Praia, a bater uma grande penalidade contra o FC Porto, com jogadores portistas em segundo plano.

O erro não começa hoje

André Franco custou perto de 4M€ ao FC Porto em agosto de 2022, vindo do Estoril, com contrato até 2027. O preço não é o problema, a ideia é que foi.

Porque não foi só ele: a antiga direção foi enchendo o plantel “ao quilo”, em estilo YouTube scouting, sem olhar ao carácter, à fome ou ao encaixe na identidade do Porto.

Comprava-se porque “tecnicamente dava jeito” e para encher balneário. O resultado? Um balneário confortável, previsível… e sem mística.

O histórico de André Franco é só mais um exemplo. E as suas próprias palavras agora, ao assumir que queria trocar o futebol europeu pela MLS como se fosse um grande sonho, confirmam isso mesmo: perfil errado, mentalidade errada, e incompatibilidade total com o Porto.

A frase que denuncia a mentalidade

“Quero que seja um contrato longo.” Dito por alguém que, aos 27 anos, prefere trocar a luta europeia pelo conforto da MLS, sem nunca ter tido sucesso na Europa, e ainda vender isso como grande salto. É exatamente o tipo de mentalidade que o FC Porto não pode aceitar dentro de casa.

O nosso clube foi construído por gente que prefere noites frias, campos hostis e títulos arrancados a ferros, não por quem suspira por soft landings.

A MLS pode ser excelente para muitos. Pode ser a reforma dourada de guerreiros que já venceram na Europa, como Messi ou outros que cumpriram o seu ciclo no topo. Mas para quem nunca ganhou nada? Para quem nunca deixou marca no futebol europeu, encarar isto como “o grande salto” é uma ilusão perigosa.

Revela, além de tudo o resto, uma imaturidade que no Porto não pode ter espaço, porque traz consigo a antítese da nossa mística. O problema não é a liga americana, é a mentalidade de quem, numa fase da carreira em que devia ter ambições de conquista, prefere chamar “grande salto” ao conforto.

Jogadores do FC Porto com valores de contratação: Ivan Jaime, Samuel Portugal, Otávio Ataíde e Fran Navarro, apresentados no Estádio do Dragão.

Porque falhámos na última época

Resultados fracos não aparecem do nada. Aparecem quando a fasquia interna e baixa, quando o balneário admite a comodidade como “normal” e quando quem decidiu confundiu currículo com caráter. Uma época falha-se nos pequenos sinais: no treino sem intensidade, na má seleção de perfis, no discurso que relativiza o que é ser Porto. E quando chega a hora de morder, não há dentes. A frase de hoje ajuda a explicar o ontem.

A limpeza que devolve coluna vertebral

Aqui, palmas à nova direção: está a fazer o que parecia impossível há meses, limpeza total de balneário, porta aberta a quem é “à Porto”, saída natural de quem não percebe o que é entrar de joelhos e sair de pé.

Reposicionar o perfil competitivo é o primeiro título da época; os troféus vêm depois. O empréstimo de André Franco é mais uma correção de rota. E cada correção destas traz o Dragão de volta ao Dragão.

Nunca mais terapia de carreira

O tempo em que o Porto foi terapia de carreira acabou. Esse foi o maior insulto à nossa história: transformar o Dragão em clínica de recuperação para jogadores sem fome. Aqui não é estufa de conforto, é forja de campeões. Isso tem de ser enterrado, para nunca mais voltar.

No Porto só há dois caminhos: quem fica, luta; quem não se encaixa, sai. Sem meias-palavras, sem desculpas. Porque o Porto não é para todos. É só para os que vivem à Porto.

Best_Abraços,
Ricardo Amorim

📌 Série Especial: Viúvas

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