Fernando Madureira condenado: o que significa para o FC Porto?

Fernando Madureira condenado: o que significa para o FC Porto?

A sentença caiu. Fernando Madureira, outrora o rosto mais temido das bancadas, foi condenado a 3 anos e 9 meses de prisão efetiva. A juíza foi clara: liderou um plano de intimidação para condicionar a vontade dos sócios do FC Porto. Foi considerado culpado. Está preso.

E, no meio da poeira, fica uma cidade e um clube a dividir-se entre o silêncio constrangido e os gritos indignados.
Mas… e nós, Portistas? O que sentimos, de verdade?

Mártir ou tirano?

Uns dizem que foi um mártir. Outros, que foi um tirano disfarçado de adepto. Entre esses extremos, talvez esteja a verdade. Ou talvez esteja apenas o retrato de como deixámos que a mística fosse sequestrada por um clube de influências, onde o medo começou a vestir azul e branco.

A voz da juíza que fez calar um estádio

As palavras da juíza Ana Dias Costa foram tão duras quanto honestas:

“Reconheço-lhe características de líder. Foi uma pena [...] Aquilo foi uma imposição de uma ditadura e o tempo de Salazar já foi há muito. [...] As pessoas têm o direito a estar e a falar em liberdade. Isto não pode acontecer na nossa cidade, não pode mesmo.”

Concordo. Com tristeza, mas concordo.

Para mim, até dada altura, Madureira sempre foi um líder. Isso nunca esteve em causa.

Tinha carisma, sabia unir, intimidava quando era preciso. E não tenho vergonha de admitir que até tinha saudades daquelas esperas aos jogadores que não suavam a camisola, ou dirigentes que faziam maus negócios. Fazia parte do jogo. Os próprios intervenientes sabiam disso.

Era o Porto a funcionar como Porto: com exigência, com cultura, com temor reverencial a quem representa o dragão.

Fernando Madureira condenado, líder dos Super Dragões, em destaque entre adeptos do FC Porto

De líder a capanga

Mas depois… prostituiu a sua liderança.
Não ao serviço do FC Porto, mas ao serviço de uma presidência.

Deixou de gritar contra quem não corria… para calar quem ousava pensar diferente. Passou a intimidar portistas. Usou a estratégia do medo para silenciar quem dizia que o clube estava a afundar.

E quem ousava? Recebia uma visita. Do “Gorila” e da sua turma de macaquinhos. Do regime.

E aí, a liderança morreu. Nasceu o capanga.

Justiça ou vingança?

Há quem veja nesta sentença uma perseguição política. Uma forma de limpar o terreno para um novo FC Porto. Pessoalmente nem tudo me pareceu correto, mas o que foi correto nos últimos anos de Madureira?

  • Há quem ache que foi pouco. Que o Madureira devia estar proibido de voltar a meter os pés no Dragão.
  • Há quem chore por ele.
  • Há quem festeje.


Mas e se esta ferida for mais funda do que pensamos?

Será que o problema foi só o Madureira?
Ou fomos nós, que deixámos que o medo entrasse no clube pela porta da frente, desde que viesse com um cachecol azul ao pescoço?

Será que o verdadeiro erro foi termos normalizado que quem falava contra o presidente deixava de ser portista?
Será que nos calámos demais?

Vandalismo na casa de André Villas-Boas com pichações no muro relacionadas ao FC Porto

Um Porto dividido… por dentro

O que dói, no fundo, é saber que tudo isto aconteceu entre portistas.
Que as cenas de violência não começaram ali, naquela Assembleia. Aquilo foi só o último episódio, o mais visível, talvez o mais chocante, mas longe de ter sido o primeiro.

O medo entrou pela porta da frente

Antes disso, houve dezenas. Talvez centenas. Episódios onde se usou o nome do FC Porto como arma para espalhar medo entre sócios e adeptos do próprio clube, gente que apenas queria ter o direito de pensar diferente.

E o mais triste é que, muitas vezes, nem era pensamento contra o Porto… era apenas pensamento, ou críticas contra alguém do FC Porto. Mas mesmo isso passou a ser um risco.

Quando o poder se sobrepôs ao clube

E se quem executava essas intimidações nem sequer o fazia por convicção? E se, no fundo, eram apenas paus-mandados de uma estrutura podre, usados como cães de guarda de um trono em decadência?

Visitas a casas. Ameaças veladas. Insultos em jogos fora. Intimidações organizadas.
Tudo contra portistas.
Tudo feito por quem dizia defender o clube… mas que, no fundo, só defendia o poder.

E por esse poder, valeu tudo.
Até virar dragão contra dragão.

E agora?

E agora, o que fazemos com isso? Fingimos que nunca aconteceu? Que foi só “excesso de paixão”?


Ou temos coragem de discutir a sério o que andámos a tolerar durante anos?

Fica o desafio:

👉 A nação portista deve ou não virar esta página?
👉 Madureira é um injustiçado ou um traidor da sua própria mística?
👉 A claque perdeu o seu líder… mas será que já tinha perdido a sua alma?

Escreve nos comentários a tua opinião. Vamos falar sobre isto. Sem medo.

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Best_Abraços,
Ricardo Amorim

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