Jorge Costa FC Porto e a dor de um adeus inesperado
Estive internado na UTI nos últimos dias. E, no meio do som dos monitores, da luz fria e das horas que se arrastavam, chegou-me a notícia que não queria receber: Jorge Costa partiu.
Não pude escrever de imediato. Não pude dar-lhe a despedida que merecia. Mas a verdade é que, naquele momento, entre tubos e enfermeiras, a notícia bateu como um murro no estômago e fez-me pensar: será que vale a pena tantas guerras, tantas discussões?
Estamos mesmo a usar o nosso tempo com o que é útil para nós e para os nossos?

Mais do que um jogador: um "pedaço" da alma portista
Perder o Jorge é mais do que perder um ex-jogador. É perder um pedaço da alma do FC Porto.
Ele não era só capitão. Era a personificação da nossa identidade: liderança natural, garra, entrega, resiliência, carisma, mentalidade vencedora e uma ligação única aos adeptos.

A força de um verdadeiro líder
O Jorge não precisava de fazer discursos bonitos para ser ouvido. Bastava entrar no balneário, olhar nos olhos de cada um, e todos sabiam o que tinham de fazer.
Não é à toa que um dia Mourinho contou: “que ele tinha sido o único a fechar a porta do balneário a Mourinho”, palavras dele, num intervalo contra o Belenenses, quando assumiu o comando e virou um jogo que parecia perdido.
Falava do Porto como quem fala de casa:
"No FC Porto, não jogamos só por nós, jogamos pela cidade, pelo povo."
Jorge Costa
Era assim.
Puro, frontal, comprometido até ao osso.
Resiliência e entrega sem limites
Quando a vida o empurrava para baixo, não hesitava: respondia como um verdadeiro Dragão, herói e corajoso.
E quem não se lembra daquela frase que resume a sua fibra?
- “Lesões? Levanto-me sempre. O Porto não pode esperar.”
- “Ser capitão do Porto é carregar o peso da história, mas também a honra de a escrever.”
Hoje, sem ele no nosso banco de memórias vivas, o peso parece maior. Mas é exatamente agora que temos de provar que merecemos carregar essa história.

O legado de Jorge Costa no FC Porto
Honrar o Jorge Costa não é só falar dele com orgulho, é viver o Porto como ele viveu: com coragem nas derrotas, humildade nas vitórias e entrega total em cada segundo.
Porque, se baixarmos a guarda, não é só a memória dele que se apaga… é uma parte de nós.
O Jorge escreveu a dele a letras de ferro. E deixou-nos a nós a obrigação de continuar a escrever a nossa.
Nos últimos meses, a família portista tem chorado muito. Perdas pesadas, nomes que moldaram a nossa história. Fica a tristeza, fica a raiva… mas também fica aquela vontade que é só nossa: querer já o próximo jogo, para mostrar do que somos feitos e para honrar o legado de quem nos deixou.
Jorge Costa FC Porto foi mais do que um capitão. Foi um espelho onde qualquer portista, dentro ou fora de campo, devia ter coragem de se ver.
A despedida pessoal
E eu… que recebi esta notícia num momento em que a vida me lembrou que não somos eternos… só posso dizer: obrigado, Capitão.
Obrigado por me mostrares, na prática, o que é ser Porto.
Obrigado por me ensinares a nunca baixar os braços, a levantar-me com mais força sempre que a vida tentava atirar-me ao chão.
Obrigado por me fazeres acreditar que, quando alguém tenta subjugar-nos, a resposta é simples: lutar mais, dar mais, ser mais…..

O que Jorge Costa deixou em mim
Ensinaste-me que o Porto é comunidade.
Que lealdade é estar ao lado de quem está ao nosso lado, principalmente nos dias maus.
Que só damos tudo pelo todo quando aceitamos que a vitória não é individual, é de todos.
Mostraste-me que não se deixa ninguém para trás.
E que se pode ser tudo isso, guerreiro, líder, intransigente, e ainda assim manter a calma, a assertividade, o equilíbrio… e aquela postura que tu respiravas.
Tu ajudaste a moldar a minha personalidade, Jorge. E isso não se apaga. Levas contigo um pedaço de nós… mas deixas cá dentro um pedaço de ti.

Um “até já” carregado de mística
Cada vez que o Porto entrar em campo, eu vou ouvir a tua voz, sentir a tua presença e lembrar-me que, no FC Porto, jogamos pela cidade, pelo povo… e pela mística que jurámos nunca deixar morrer.
E enquanto eu escrever, essa tua força, essa tua forma de ser Porto, vai estar comigo, nas entrelinhas, nas palavras e no sentimento que levo para cada texto.
Por isso, não é um adeus. É um Até já, Capitão.
“Bem-aventurado o homem que persevera sob provação, porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida.” (Tiago 1:12)
(Pensar Porto é o nosso compromisso)